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Investigação

Blue Carbon em pântanos da Patagônia central

Estudamos quanto carbono os pântanos da Península Valdés armazenam e quais os fatores que o explicam, para contribuir para a conservação costeira e a luta contra as alterações climáticas.

O carbono azul é o carbono armazenado em ecossistemas marinhos e costeiros, como pântanos salgados, manguezais e pradarias de ervas marinhas. Esses ambientes capturam e armazenam grandes quantidades de carbono, tanto nas plantas quanto nos sedimentos.

Os pântanos desenvolvem-se em zonas estuarinas e entremarés, onde o movimento lento da água acumula sedimentos finos colonizados por vegetação halófita, com Spartina e Sarcocornia entre os géneros mais representativos.

Estão entre os ambientes mais produtivos do planeta e desempenham um papel fundamental na mitigação das alterações climáticas: funcionam como sumidouros, acumulando carbono orgânico durante séculos ou milénios. No entanto, quando se degradam podem tornar-se fontes de emissão.

O que estamos estudando?

Estamos avaliando a capacidade de retenção de carbono nos sedimentos e na vegetação dos pântanos da Área Protegida Península Valdés. Coletamos amostras de vegetação e sedimentos, analisamos o conteúdo de carbono e isótopos estáveis ​​e estimamos a proporção de carbono local (autóctone) e externo (alóctone) para melhor compreender os processos de captura e acumulação. Além disso, determinamos a biomassa e a cobertura vegetal.

Por que isso é importante?

Muitos pântanos sofreram degradação devido à atividade humana e às alterações climáticas, principais desafios para a sua conservação a nível mundial. A sua morfologia é alterada por processos naturais e pressões antropogénicas, e esta transformação acelerou nas últimas décadas.

A conservação dos pântanos é crucial para a biodiversidade e para a luta contra as alterações climáticas: podem armazenar mais carbono por hectare do que muitas florestas, mas se forem degradados, esse carbono é libertado. Com taxas de perdas globais entre 25% e 50%, é urgente compreender como funciona.

Mapeamento de drones: uma ferramenta fundamental

Uma das inovações do projeto é o mapeamento aéreo com drones. Pela primeira vez realizamos levantamentos espaciais de alta resolução em pântanos patagônicos, gerando mapas detalhados da vegetação e da geomorfologia do terreno. Isto permite modelar processos ecológicos, detectar mudanças ao longo do tempo e fornecer dados para conservação e planejamento de manejo.

Imagem aérea de um pântano em Playa Fracasso, Península Valdés. A vegetação dominante corresponde ao gênero Sarcocornia (imagem cortesia: IPGP-CONICET Geoinformática).

O que fazemos no ProyectoSub?

Promovemos investigação aplicada que gere informação útil para a conservação dos ecossistemas costeiros. Nosso objetivo é fornecer dados concretos sobre o armazenamento de carbono nos pântanos da Península Valdés, avaliando como a vegetação e as condições locais influenciam este processo.

A Península Valdés é reconhecida internacionalmente pelo seu valor ecológico (Patrimônio Mundial da UNESCO, Rede Hemisférica de Reservas de Aves Limícolas). A informação gerada permitirá identificar quais os locais com maior capacidade de armazenamento, quais as espécies que a favorecem e quais as condições a manter ou restaurar.

Instituições envolvidas neste projeto